Durante muito tempo, acreditei que a ambição pode ser partilhada por duas pessoas de forma saudável. Que ambas podem partilhar uma visão comum sobre um tema ou objectivo. Mas a verdade é que isso foi ser ingénuo. Ninguem partilha coisa nenhuma, muito menos ambições. O egocentrismo é uma condicionante de ser humano. Está-nos incutido na alma.

Durante anos, levei à boleia profissional indivíduos que apregoavam o altruísmo que muitas vezes nutri por determinados assuntos. Uma ilusão apenas. A minha aposta na raça humana saiu gorada. Com raras e felizes excepções, estive rodeado de autenticas sanguessugas, que mais não fizeram que consumir a minha esperança sobre este tema.

Alguns críticos das minhas opções apontam o dedo à minha falta de sensibilidade na detecção deste tipo de pessoas. Talvez o seja, é um facto. Mas sempre preferi isso a ser como alguns, cuja desconfiança e medo do risco os alhearam a experiências novas e recompensadoras.

Hoje não acredito nas pessoas. Mas acarinho um sentimento no fundo da alma que um dia isso poderá mudar. E é por isso que continuo a abraçar causas que outros consideram perdidas. Talvez, pelas palavras ou acções, consiga influenciar apenas uma única pessoa a fazer o mesmo.

E aí sim, talvez o meu propósito de vida esteja completo.

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