Não é novidade para nenhum de nós. Portugal é um país de orçamenteiros. Gostamos de o fazer por natureza. Está-nos no sangue. Mas agora que é mesmo necessário que o país se una e orçamente a sério, parece que afinal, somos mais é azeiteiros…

Eu pessoalmente, sou apologista e sempre defendi que na politica, e em especial na governação, se deve ser um altruísta puro. Toda e cada decisão deveria ser tomada com o único propósito de um país melhor, e em prol de uma sociedade mais justa e próspera.

E nestas alturas de sufoco nacional, parece-me inacreditável a bandalheira total a que ficou entregue o meu país. Sim.. Lamento… Mas o adjectivo é mesmo bandalheira. Ainda procurei por sinónimos que pudessem reflectir o meu sentimento de forma mais subtil. Mas não há.

Não só temos um governo cujo trabalho todos estes anos aparenta não ter sido mais que uma excelente manobra de marketing, como agora temos um país inteiro a dizer que temos de combater a crise, mas sem ninguém perder a mama. Sim… Mama… Também não encontrei sinónimo ( quer dizer, haver havia, mas era ainda mais explicito).

Em tempos como os que temos, e não há uma alma que queira começar por dar exemplo? Deveria começar por cima, é certo, mas já que o governo se está a marimbar para o país, não haverá mais ninguém?

Curiosamente, o único discurso mais ou menos de jeito que ouvi até agora, veio de Pedro Passos Coelho. “Os impostos quando aumentam, nunca mais descem”. Isto, vindo de um politico, é de uma franqueza de louvar. E não deixa de ser curioso, que tendo sido ele que exigiu em publico um Orçamento de Estado com reais correcções à politica de desgoverno, esteja agora no meio de uma verdadeira chantagem politica vinda de todos os sectores.

Passos Coelho disse que, a não ser que o Orçamento apresentado pelo Partido Socialista incluísse cortes drásticos na despesa publica, suspensão dos grandes investimentos públicos e o não aumento de impostos, não aprovaria o dito cujo. Parece-me a mim algo até bastante lúcido.

Mas o que acontece agora, é que o Orçamento afinal não corta em nada (os 5% dos salários da função publica são uma anedota… pouco mais de 1% da despesa), aumenta impostos, continua a gastar em equipamento que não iremos precisar a curto prazo e não gera empregos significativos em Portugal, e pior ainda, faz jogadas financeiras com fundos de pensões da PT para enganar o balanço.

Com uma proposta destas, qualquer um de nós com dois dedos de testa tem vontade de se levantar, dirigir-se ao Primeiro Ministro, e dizer-lhe: “Manso é a tua tia, pá…”. Porque pelos vistos, o senhor Engenheiro deve pensar que somos todos mansos…

E aqui vejo o efeito mais incongruente de todos. Estão os jornalistas, os políticos, banqueiros, sindicalistas e outros a apontar baterias a Passos Coelho, a exigir que aprove os números que o governo resolveu regurgitar. Parecem um coro a uma voz, implicando que o líder do PSD será culpado se deixar passar o documento na assembleia, e culpado ainda maior se o chumbar.

Talvez eu esteja errado, mas da ultima vez que olhei para a letrinhas no Diário da República, é da responsabilidade do governo, e não da oposição, em preparar e apresentar um Orçamento de Estado. E será da responsabilidade da Assembleia da República discutir e aprovar ou rejeitar o mesmo. E no caso de rejeição, nada impede o governo de apresentar uma nova versão.

Mas aqui, a coisa já nasceu torta. Os lideres Socialistas apresentaram um documento que, a olhos de muitos, é um convite explicito ao chumbo (dando assim a desculpa ideal para pedir a demissão, e passar a batata quente a outros).

Apesar de descrente na actual classe politica, desta vez dou viva voz de apoio para que Passos Coelho tenha coragem de chumbar, em alta e viva voz, um Orçamento que mais não é que uma manobra para sacudir água do capote. E se tivermos de viver em duo-décimos, pois que assim seja.. Ao menos a despesa não cresce de certeza. E ao mesmo tempo, teremos uns meses para os orçamenteiros de Portugal fazerem bem as continhas desta vez.

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